10:36 · 16 de setembro de 2026

Gráfico do Dia: O que se segue para o mercado bolsista dos EUA? (16.09.2026)

O setor tecnológico dos EUA perdeu o ímpeto após meses de crescimento dinâmico. Embora o índice Nasdaq 100 ainda apresente um sólido retorno acumulado no ano de 14,6%, as últimas semanas trouxeram um arrefecimento acentuado do otimismo. Ao longo do último mês, o índice registou uma queda de 3,7% e encontra-se agora 5,6% abaixo dos seus máximos históricos. Os investidores estão em suspense à medida que a tensão no mercado aumenta na véspera da decisão de hoje da Reserva Federal.

Figura 1: Painel do Nasdaq 100 (15.09.2026)

Fonte: XTB Research

O regresso dos «falcões»?

Existem fortes indícios de que a correção em curso em Wall Street não se trata apenas de uma pausa técnica, mas sim do resultado de uma reavaliação agressiva das taxas de juro. Os mercados monetários estão atualmente a precificar uma probabilidade superior a 90% de que a Reserva Federal aumente as taxas de juro em 25 pontos base na reunião de hoje. Além disso, os participantes no mercado estão convencidos de que se seguirá outra medida semelhante antes de dezembro. Tal constituiria o primeiro aumento das taxas desde 2023.

Figura 2: Evolução da probabilidade implícita no mercado de um aumento das taxas pela Reserva Federal em setembro (2025/2026)

Fonte: XTB Research

Por trás desta viragem para uma política monetária mais restritiva estão as renovadas preocupações com a inflação, alimentadas pela subida dos preços das matérias-primas energéticas. O petróleo bruto Brent aproximou-se dos 107-108 dólares por barril nos últimos dias, enquanto o WTI ultrapassou a marca dos 104 dólares.

Figura 3: Petróleo bruto Brent e WTI (2026)

Fonte: XTB Research

O impacto desta ansiedade é claramente visível no mercado de dívida, onde as taxas de rendibilidade dos títulos do Tesouro dos EUA a 10 anos subiram para mais de 5%, atingindo níveis que não se viam desde a Grande Crise Financeira.

Figura 4: Taxas de rendibilidade dos títulos do Tesouro dos EUA a 10 anos (08.2026/09.2026)

Fonte: XTB Research

O momento da verdade para o novo presidente da Reserva Federal

O novo presidente da Reserva Federal, Kevin Warsh, enfrenta um teste crucial à sua credibilidade.

A Casa Branca está a exercer uma pressão imensa sobre o banco central. Kevin Hassett, o principal conselheiro económico do presidente, afirmou explicitamente que, embora Donald Trump «respeite a 100 por cento» a independência do presidente da Reserva Federal, certamente «não ficaria muito satisfeito» com um potencial aumento das taxas de juro. Para os mercados, a situação é particularmente intrigante, dado que Warsh se alinhou abertamente com Trump antes de assumir o cargo, criticando o antigo presidente Jerome Powell por reduzir as taxas de juro demasiado lentamente.

Uma pausa no atual ambiente económico tenso poderia ser interpretada como uma rendição política e uma perda definitiva da independência do banco central. Entre dois males, um aumento das taxas parece representar um risco significativamente menor para a reputação, tanto da instituição como do próprio Warsh.

No entanto, o dólar norte-americano poderá não beneficiar necessariamente de um potencial aumento das taxas. Esta medida já está quase totalmente descontada nos preços, o que significa que a atenção se centrará fortemente nos comentários de Warsh. O presidente da Reserva Federal poderá ter dificuldade em corresponder às exigentes expectativas do mercado, especialmente tendo em conta a sua preferência por manter a comunicação ao mínimo.

Figura 5: Principais moedas face ao dólar norte-americano (20.09.2026)

Fonte: XTB Research

Debate sobre a IA e as avaliações do setor

As avaliações dos gigantes tecnológicos estão a ser prejudicadas por mais do que apenas as expectativas de um aperto da política monetária. No setor da inteligência artificial, que serviu como principal motor de crescimento do Nasdaq 100, surgiu um debate aceso sobre a segurança.

Tudo começou com a dramática demissão de Jacob Coxon da Anthropic, que alertou que a IA «poderia matar-nos a todos até ao final da década». Isto desencadeou uma onda de reações extremas por parte de líderes políticos e tecnológicos:

  • O presidente Donald Trump descreveu as preocupações com a segurança da IA como uma «farsa» e uma «conspiração doentia», acrescentando que apenas a China beneficiaria com o abrandamento do progresso. O CEO da Nvidia, Jensen Huang, fez-se eco desta opinião, defendendo que o mercado se autorregulará e que novas regulamentações são desnecessárias.
  • Dario Amodei (CEO da Anthropic) apelou a uma supervisão independente, tendo o seu apelo para monitorizar o ritmo de desenvolvimento sido apoiado por Sam Altman (OpenAI) e Elon Musk, entre outros.
  • Mark Zuckerberg referiu que a Meta adiou voluntariamente a implementação do seu modelo Muse por vários meses para se concentrar na segurança, mas manifestou oposição a um abrandamento artificial a nível de todo o setor.

Apesar destas discussões apocalípticas, o capital continua a afluir para o setor. A OpenAI está atualmente a realizar discussões preliminares sobre uma nova ronda de financiamento que avaliaria a empresa num valor astronómico de 1,2 biliões de dólares, antes da sua estreia no mercado público.

Análise Técnica

Figura 6: US100 [D1] (04.03.2026/16.09.2026)

Fonte: XTB

O preço sofreu uma quebra e é atualmente negociado abaixo da média móvel exponencial de 50 dias (EMA 50, indicada pela linha amarela no gráfico). Esta média móvel assumiu agora o papel de resistência chave. As cotações encontram-se atualmente presas entre a EMA de 50 dias e a média móvel de 100 dias (EMA 100, representada pela linha vermelha).

A aplicação de uma retracção de Fibonacci à forte subida registada entre março e o início de junho revela que o preço está a lutar desesperadamente para se manter em torno do primeiro nível de suporte importante, a retracção de 23,6%. Uma quebra sustentada abaixo deste limiar (juntamente com uma quebra da EMA 100) poderá desencadear um impulso técnico de venda, abrindo caminho para uma correção mais profunda.

João Cruz

Analista XTB

João Cruz é Analista de Mercados Financeiros na XTB Portugal, onde participa na produção de conteúdos educativos (artigos, vídeos e webinars) dirigidos a investidores de retalho. Possui experiência em trading e na análise de diferentes classes de ativos, com especial foco na análise técnica de índices e ETFs. Colabora com a Rankia na criação de conteúdos financeiros e publica análises de mercado em plataformas como o Investing Portugal. É ainda o criador do projeto From Trader to Trader, que integra um canal de YouTube dedicado à análise técnica de ativos financeiros e um blog com cerca de 400 artigos publicados sobre análise macroeconómica e análise técnica. Encontra-se atualmente em fase de conclusão da licenciatura em Finanças pela Universidade de Aveiro.

Mais sobre o analista
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Medida agressiva da Reserva Federal! Warsh não faz concessões na luta contra a inflação. O US500 está no seu nível mais baixo desde 3 de agosto e o ouro já está abaixo dos 4 300 dólares.

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