Depois de atingir os 90 dólares por barril pela primeira vez em mais de cinco semanas, o petróleo Brent voltou a recuar. A evolução do conflito entre os Estados Unidos e o Irão, o risco para o transporte de petróleo no Estreito de Ormuz e as perspetivas de negociações continuam a ditar o rumo dos preços do crude.
O que se passa no Médio Oriente?
As forças norte-americanas realizaram, pelo nono dia consecutivo, ataques aéreos contra instalações militares, defesas aéreas e redes de comunicações no Irão. Os ataques norte-americanos intensificaram-se na sequência da morte de dois cidadãos norte-americanos, após um ataque iraniano a uma base na Jordânia. Além disso, Teerão atacou alvos no Bahrein (onde está estacionada a 5.ª Frota dos EUA), no Kuwait e no Iraque.
A circulação de navios e petroleiros pelo estratégico Estreito de Ormuz (responsável por aproximadamente 20 % do transporte global de petróleo e GNL) ficou praticamente paralisada na sequência de uma série de ataques a embarcações comerciais. Alguns navios estão a tentar navegar com os transponders desligados; no entanto, as forças do IRGC iraniano estão a tentar impedir o tráfego marítimo através de bloqueios e ataques. Além disso, o Irão apelou aos rebeldes houthis no Iémen para que bloqueiem o estreito de Bab al-Mandab, no Mar Vermelho, caso os EUA ataquem as infraestruturas energéticas iranianas.
Tensão no mercado de combustíveis e matérias-primas
O petróleo Brent ultrapassou o nível de 90 dólares por barril pela primeira vez em mais de cinco semanas, valorizando-se numa onda de aumento do prémio de risco geopolítico. Os preços da gasolina nas estações de serviço nos Estados Unidos voltaram a situar-se acima dos 4 dólares por galão, gerando pressão política na véspera das eleições intercalares de novembro. Além disso, o crack spread 3-2-1 está a atingir quase 70 dólares por barril, o que demonstra o quão extremamente restrito se encontra o mercado de combustíveis. Esta situação é ainda mais influenciada pela conjuntura na Rússia, onde as exportações de quase todos os principais produtos petrolíferos foram suspensas.
Diplomacia e a possibilidade de uma reviravolta (TACO)
Apesar da troca contínua de golpes, a parte iraniana informou que a diplomacia continua ativa e que estão a ser apresentadas propostas através de mediadores, principalmente o Catar e o Paquistão. O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, observou que o Irão está a enviar sinais de que pretende entrar em negociações e que, no seio das autoridades iranianas, são visíveis divisões entre os defensores de um acordo e os falcões.
Estaremos perante uma reviravolta diplomática?
O Presidente Donald Trump anunciou uma intensificação dos ataques às infraestruturas iranianas a partir de quarta-feira. Os mercados interpretam isto como um jogo de alto risco. O aumento da pressão militar por parte dos EUA poderá servir de prelúdio para forçar um regresso à mesa de negociações (ou seja, o momento TACO). Caso ocorra uma desaceleração da tensão, a evaporação do prémio geopolítico poderá desencadear uma correção acentuada em baixa no mercado do petróleo.
Atualmente, estamos a observar um recuo das máximas diárias em torno dos 90 dólares por barril para os 88 dólares por barril, que foi o fecho de sexta-feira. O mercado do petróleo continua extremamente restrito, e a Goldman Sachs prevê novos aumentos. No entanto, tendo em conta o historial e o comportamento de Donald Trump, qualquer sinal de abrandamento poderá conduzir a uma correção de 5 a 10%.
Atualmente, desde o início do conflito, o preço está nominalmente mais de 27 % mais elevado. Como a história demonstra, mesmo numa fase tão avançada do conflito, são perfeitamente possíveis oscilações em ambos os sentidos.
O preço está a recuar, apesar da subida na abertura dos futuros. O suporte mais importante situa-se atualmente em torno dos 86-87 dólares por barril.
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