15:48 · 22 de julho de 2026

🔼 Ouro sobe 1.7%

Principais conclusões
Principais conclusões
  • O ouro ultrapassa os 4 150 dólares por onça.
  • O dólar norte-americano regista uma ligeira descida.
  • O ouro voltou a defender com sucesso o nível de suporte chave dos 4 000 dólares.

O ouro sobe à medida que os investidores alimentam esperanças de um possível cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão. Uma eventual desaceleração das tensões poderia fazer baixar os preços do petróleo, aliviar as pressões inflacionistas e reduzir o risco de um novo aperto monetário por parte da Reserva Federal. O metal precioso está também a beneficiar de apoio técnico após ter ultrapassado e defendido com sucesso o nível-chave de 4 000 dólares por onça.

Factos-chave

  • Nos últimos dias, o Irão terá recebido uma proposta dos mediadores para um cessar-fogo de 10 dias, o que suscitou esperanças de um abrandamento das tensões no Médio Oriente, embora essas esperanças possam, em última análise, revelar-se efémeras.
  • Apesar disso, Donald Trump tem mantido uma postura de escalada em relação a Teerão, sugerindo que os EUA estariam preparados para atacar infraestruturas críticas do Irão caso as forças iranianas voltassem a atacar navios no Estreito de Ormuz. Afirmou ainda que a opinião pública americana «não se opõe à guerra».
  • Preços mais baixos do petróleo poderiam aliviar as pressões inflacionistas e reduzir as expectativas de que a Reserva Federal mantenha as taxas de juro mais elevadas por mais tempo.
  • O nível de 4 000 dólares por onça continua a ser um importante suporte psicológico, embora as preocupações com as taxas de juro e a incerteza persistente no mercado do petróleo possam limitar o alcance da recuperação.

A desaceleração das tensões poderia reduzir a pressão exercida pelo petróleo e pela inflação

Os preços elevados do petróleo, causados por perturbações no abastecimento no Golfo Pérsico, continuam a pesar sobre o ouro. A energia mais cara aumenta o risco de inflação persistente e reforça as expectativas de que a Reserva Federal possa manter as taxas de juro em níveis restritivos ou mesmo proceder a um novo aumento das taxas.

Embora o ouro seja amplamente considerado uma proteção a longo prazo contra a inflação, não gera rendimento. Os rendimentos mais elevados das obrigações aumentam, por conseguinte, o custo de oportunidade de deter este metal que não rende, o que poderá reduzir a procura de investimento.

As perspetivas da Reserva Federal continuam a ser o principal fator determinante

Os investidores aguardam agora a decisão de política monetária da Reserva Federal e os comentários do presidente Kevin Warsh na sequência da reunião da próxima semana. Atualmente, os mercados estão a precificar uma probabilidade de 64% de um aumento das taxas em setembro.

De uma perspetiva técnica, a quebra acima da tendência descendente que se mantinha desde 6 de julho melhorou o sentimento a curto prazo. No entanto, o ouro poderá permanecer preso numa ampla faixa de consolidação até que os investidores recebam sinais mais claros sobre a trajetória futura das taxas de juro dos EUA e a evolução da situação no Médio Oriente.

Dito isto, as preocupações quanto a um maior aperto monetário por parte do Fed podem ser exageradas. O presidente Warsh não indicou que novos aumentos das taxas de juro constituam, neste momento, o cenário base, enquanto as eleições intercalares nos EUA, que se aproximam no final deste ano, poderão reduzir a probabilidade de uma política monetária mais restritiva antes da votação.

De um ponto de vista técnico, os próximos níveis de resistência importantes para o ouro situam-se em torno dos 4 800 dólares e dos 5 000 dólares por onça, ambos reforçados por reações anteriores dos preços. Entretanto, o nível dos 4 000 dólares continua a servir como uma área de suporte fundamental.

Fonte: xStation5

Vítor Madeira

Analista XTB

Vítor Madeira é economista e responsável pela área de Research na XTB Portugal, com uma forte paixão pelos mercados financeiros. Dedica-se à produção de análises aprofundadas, focadas na identificação de tendências e oportunidades de investimento nas várias classes de ativos.

Com vasta experiência em trading e especialização em análise técnica e fundamental, destaca-se pela capacidade de transformar informação complexa em insights claros, acessíveis e práticos para os investidores, tendo como principal foco o trading de ações.

Concluiu recentemente com sucesso o Nível I do CFA e encontra-se atualmente a preparar o Nível II. O seu trabalho contribui para decisões de investimento mais informadas, reforçando a missão da XTB de promover conhecimento financeiro rigoroso e confiável.

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